Pesquisa da UEL será apresentada em Ocupação

Uma pesquisa de respeito! Trabalhos como o de Gabriel Ruiz merecem toda visibilidade possível!

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Monografia sobre Comunicação e Conflitos no Flores do Campo será defendida no próprio espaço da Ocupação.

O barracão da Ocupação Flores do Campo, situado na extrema região norte de Londrina (PR), será transformado em sala de aula na quinta-feira (19/7). A apresentação de um projeto de conclusão do curso de pós-graduação em “Comunicação Popular e Comunitária” da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acontece a partir das 19 horas. O trabalho é sobre a prática de oficinas de comunicação realizadas na Ocupação Flores do Campo e aborda temas como comunicação comunitária, ativismo e conflitos urbanos oriundos de processos urbanizatórios.

Pesquisa prática

O estudo é resultado de nove oficinas práticas de comunicação desenvolvidas entre julho e dezembro de 2017 na própria ocupação, que contaram com a participação de cerca de 40 moradores. O intuito das atividades foi auxiliar e instruir os habitantes do Flores do Campo a produzir e divulgar informações a partir do seu próprio ponto de vista.

Segundo o realizador do projeto, o jornalista e professor Gabriel Pansardi Ruiz, a ideia surgiu porque costumeiramente veículos da imprensa londrinense publicavam informações incorretas e atacavam covardemente a dignidade dos moradores.

Oficinas no Flores do Campo: a prática fora da academia.

Registro de Gabriel Ruiz.

Resultados e conquistas
Como resultado central, após as primeiras oficinas, foi criado um canal de comunicação da própria ocupação, que serve para informar apoiadores, jornalistas e a população de Londrina em geral sobre o Flores do Campo e seus objetivos. Já nos primeiros quatro meses de atividades, mais de 50 materiais haviam sido divulgados, entre vídeos, textos, fotos e ensaios fotográficos. Todos produzidos com alguma participação dos moradores.

“A partir de uma demanda da comunidade do Flores do Campo, de se proteger de investidas da polícia e ter um canal de expressão, conseguimos ensinar uma forma de o povo se comunicar, usando técnicas da comunicação popular e comunitária e do midiativismo”, explica.

Levar o tema para além da UEL

Ruiz aponta também que levar a apresentação da banca e do trabalho para dentro da ocupação Flores do Campo foi uma forma de homenagear os moradores e de expandir o conhecimento para além dos espaços da UEL. “A ideia é que a universidade sirva a todos e todas, especialmente quem tem os direitos violados, e assim caminharmos para a construção de uma sociedade menos desigual e rumo ao mundo que queremos”, conclui.

Sobre a pesquisa

O estudo denominado “A Comunicação Popular e Comunitária e o Midiativismo em ação em uma ocupação urbana: a ocupação Flores do Campo – Londrina (PR)” foi elaborado como monografia para a conclusão do curso de especialização em Comunicação Popular e Comunitária, do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Imagem do Flores do Campo. Fotografia de Jaqueline Vieira

Sobre a ocupação Flores do Campo

O terreno localizado depois do final da Avenida Saul Enkind foi ocupado por aproximadamente 800 famílias em outubro de 2016, diante da paralisação das obras por quase um ano do empreendimento de mesmo nome do Minha Casa Minha Vida. A previsão inicial era de ser entregue em 2015 e é um projeto viabilizado pela Caixa Econômica Federal, em parceria com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). A construção foi abandonada repentinamente pela Construtora Fórmula Empreendimentos Imobiliários, mesmo tendo recebido 70% do valor da construção da obra. Somente 48% do empreendimento foram executados.

Atenção ao Barracão da Ocupação Flores do Campo: o local ainda não tem endereço fixo, por isso indica-se esse ponto do mapa.

 

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