Ocupação sob tensão!

A chegada de 18 veículos da Polícia Militar, depois das 20h desta segunda-feira (19.9) lá na Ocupação Flores do Campo (zona norte de Londrina), provocou tensão e questionamentos. Não apenas em relação ao horário avançado para uma operação, mas também pelo fato de os moradores já sofrerem com dificuldades de infraestrutura básica e com a espera de uma desocupação ordenada pela Justiça a qualquer momento.

POLÍCIA INTIMIDA OCUPAÇÃO EM LONDRINA O Choque e a PM entraram na Ocupação Flores do Campo neste momento pela segunda vez só nesta noite."Nos chamaram de vagabundos, falaram que iam dar tapa na cara, que isso era errado", relatou uma moradora que não quis se identificar e está grávida.Na primeira investida cerca de 20 veículos entre carros, motos e jipes circularam pelas ruas e estacionaram na entrada da ocupação. Desceram fortemente armados intimidando os moradores que resistiram e se manifestaram."Chega de opressão, chega de opressão!"A PM então se retirou prometendo retornar com bombas e spray de pimenta."Eles voltaram e tão tocando o terror na gente", disse outra moradora.Vídeo: Gabriel Ruiz / Mídia Ninja.

Posted by Mídia Ninja on Tuesday, September 19, 2017

O major Nelson Villa, comandante da 4ª Companhia da PM, disse à imprensa que a confusão começou com uma “ronda de rotina” que teria sido intimidada por moradores. Os soldados teriam chamado reforços para acompanhar a equipe no bairro, que chegaram a provocar um pequeno “congestionamento de viaturas”, como bem mostra o vídeo. “Algumas pessoas ali não têm interesse que a PM faça o patrulhamento no local e isso não podemos admitir”, disse Villa ao portal Bonde.

Tanto a população londrinense quanto o Baixo Clero sabem que há criminosos vivendo no local, mas naturalizar operações militares deste porte só amplia o preconceito contra quem vive lá. Ações de logística e de investigação para mapear, prender e punir especificamente criminosos ou grupos de traficantes são as melhores opções para agir em locais de tensão (resultado da operação: apreensão de duas carcaças de motos).

Fazer uma caravana frente às casas de muitos (esmagadora maioria) dos 2,1 mil moradores honestos que seguem com suas vidas em busca de trabalho e condições para criar os filhos não é a solução. As experiências históricas nas ocupações do Rio nos mostram quais caminhos sociais podemos seguir ou evitar.

 

“Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem no jornal
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes, árabes, árabes do caos
Sinto muito, cumpadi,
Mas é burrice pensar
Que esses caras
É que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício!”

(Hey Joe – O Rappa)

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