Governo patrulhou músicos e artistas durante a reinauguração do Ouro Verde

Foto – Luiza Braga

A parte mais visível do policiamento montado para proteger o governador Beto Richa (PSDB) de vaias e manifestações contrárias durante a reinauguração do Teatro Ouro Verde, na última sexta-feira, estava do lado de fora, com centenas de policiais e uma grade de proteção, além da salva de rojões quando da chegada do tucano, para evitar que ele ouvisse os apupos. Mas também houve policiamento ostensivo e literalmente patrulhamento do lado de dentro do Teatro, como mostram relatos de músicos ouvidos pelo Baixo Clero. Os depoimentos foram dados sob a condição de preservar as fontes.

Um músico informou que um grupo de “cinco ou seis policiais” fardados ficaram o tempo todo sentados no mesmo local em que estavam os artistas, “de prontidão”, mas eles não tiveram nenhum contato com os músicos. O patrulhamento ficou por conta de funcionários do governo do Estado que tentaram convencer músicos a não usarem um adesivo feito pela Assuel, sindicato que representa os servidores técnico-administrativos da universidade, com a inscrição “Luto pela UEL”. Uma assessora alegou que o uso dos adesivos “estragaria o espetáculo” e demonstrou preocupação ao descobrir que a Assuel é um sindicato. Ela pediu que os adesivos fossem retirados, mas não foi atendida.

Outro músico relatou que o aparato policial exagerado estabeleceu um clima tenso entre os artistas que se apresentaram. Ele contou que uma funcionária do cerimonial insistiu diversas vezes para que o adesivo da Assuel não fosse usado, mas também não foi atendida. O cerimonial ficou agitado depois de o grupo vocal ter se apresentado e, durante os aplausos, ter gritado “Força UEL”. O temor do governo era um grito de “Fora Beto Richa”, com o governador na plateia. Os artistas preferiram o “Força UEL”, para alívio da tropa de choque do governo.

O clima de tensão entre os assessores do governo começou à tarde, durante um ensaio, quando um dos músicos vestia uma camiseta feita pela APP-Sindicato, que representa professores e servidores da rede estadual de ensino, referindo-se ao massacre do Centro Cívico, em 2015, quando da votação de mudanças na ParanáPrevidência, propostas pelo governo Beto Richa.

Do lado de fora do Ouro Verde, além do aparato policial visível, havia dois grandes grupos da Tropa de Choque escondido, um ao lado direito e outro ao lado esquerdo do Teatro. Um dos grupos ficou escondido no Palácio do Comércio, um prédio comercial, onde também fica a sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

Conjuntura

O medo das vaias se deve ao embate do governo com as universidades estaduais. O governo bloqueou as verbas de custeio da UEL, UEM  e Unioeste, que se recusaram a entregar a documentação da folha de pagamento para que ela seja gerenciada pelo Meta4, num ato de retaliação. As universidades alegam que abrir mão de gerenciar a própria folha de pagamento afetaria a autonomia universitária e implantaria o controle político das atividades de pesquisa e extensão pelo governo.

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