Sob forte aparato policial, Beto Richa é recebido sob protestos na inauguração do Ouro Verde

Fotos: Luiza Braga.
Texto: Gabriel Pansardi Ruiz

A reinauguração do Teatro Ouro Verde que aconteceu na noite de sexta (30/06), em Londrina, contabilizava mais policiais do que convidados. A grande quantidade de militares, 700 no total, espantou quem passava pela região. Enquanto no interior do teatro a cerimônia com a presença do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), ocorria a portas fechadas apenas para pessoas convidadas, no lado de fora, manifestantes se reuniam com faixas, gritos e cartazes. Um enorme cordão de isolamento formado por homens fardados impedia a aproximação de qualquer cidadão.
Quando Beto Richa chegou ao local, uma saraivada de rojões e fogos de artifício foi disparada na tentativa de abafar o som das manifestações. “Esse ato tem o objetivo de demonstrar a nossa indignação com a inauguração oficial do Ouro Verde, que é um patrimônio do estado do Paraná e do município e devia ser para a cidade, para os artistas e os frequentadores do teatro ficaram pra fora”, comentou o professor do departamento de Artes da UEL e membro do Conselho Municipal de Cultura de Londrina, Kennedy Piau Ferreira.
Para o professor, o forte aparato policial montado – com cavalaria, choque, inclusive de outros municípios – é um absurdo. “Tudo isso para evitar que a população prestigie e se aproprie do seu teatro”, completou.
O também professor e músico de Londrina, Rafael Fuca, criador do evento que ajudou a organizar e mobilizar as pessoas para a manifestação de forma espontânea, esteve presente. Ele acredita que o protesto “colocou uma pedrinha no sapato de Richa, porque durante a inauguração as palavras de ordem incomodaram e mostraram um pouco do que ele tem realmente feito no Paraná”, frisou.
Já a presidenta do Conselho de Cultura, Solange Gaya, procurada pela reportagem, não quis fazer declarações. Para ela, a presidência do Conselho não deve assumir uma posição política sobre o caráter do evento e disse ter comparecido à cerimônia no Ouro Verde de forma neutra.
A ausência de trabalhadores no quadro de funcionários do próprio Ouro Verde, bem como o impasse em relação à obrigatoriedade de implantação do sistema Meta 4 na UEL foram também criticados pelos manifestantes.

Incêndio

O Ouro Verde saiu de cena em fevereiro de 2012, em decorrência de um incêndio que destruiu a parte interna do prédio. Sobraram as paredes laterais e a fachada original, a partir das quais foi feita a reconstrução. Entre o incêndio e a conclusão das obras de reconstrução, o Ouro Verde, que é o principal palco de Londrina, ficou fora de cena durante meia década. Inaugurado em 1952, o Teatro foi adquirido pela UEL em 1978.

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