Para reinaugurar o Ouro Verde, governo manterá o povo à distância

Foto – Fábio Silveira

A reinauguração do Teatro Ouro Verde, nesta noite, em Londrina, será sem povo. E mais: com o povo mantido à distância. Desde cedo o trecho do Calçadão, no Centro da cidade, está isolado para garantir que o governador Beto Richa (PSDB) vá à inauguração sem ter que ouvir vaias e encarar protestos. Pela manhã o cerco era garantido por poucos policiais e pelas grades. A quantidade de policiais deve aumentar à medida que o horário da inauguração – 19 horas – se aproxime. Para a inauguração de hoje, só autoridades convidadas. Quem se apresenta é a Orquestra Sinfônica da UEL, mas para ouvir a OSUEL será preciso pagar um “pedágio”, ouvindo discursos das autoridades.

Movimentos sociais e culturais marcaram para as 18 horas, na Concha Acústica, a poucos metros do Ouro Verde, um ato contra o que eles chamam de “inauguração de fachada”. Isso porque o Ouro Verde terá pouco fôlego para funcionar, já que o governo não contrata servidores aprovados em concurso e não há servidores para fazer o teatro funcionar. Os que forem deslocados para o Ouro Verde deixarão outros “buracos” na estrutura da universidade.

Destruído em 2012 por um incêndio, o Teatro Ouro Verde foi reconstruído, numa obra que se arrastou por anos.

Atritos

Em seu segundo mandato, Beto Richa tem mantido uma relação turbulenta com o funcionalismo, principalmente professores e servidores da rede estadual de ensino e professores e servidores das universidades estaduais. O governo tenta forçar a adesão das universidades estaduais – entre elas a UEL – ao sistema de gerenciamento de folha de pagamento Meta4. Alguns tiros disparados pelo governo têm saído pela culatra. Primeiro, Beto Richa disse que as universidades não querem o Meta4 porque o sistema permitiria a exposição dos salários dos servidores na página da Transparência. Mas os salários sempre estiveram lá.

Depois o governo superdimensionou o custo por aluno das universidades estaduais, aproveitando informações distorcidas, vindas do TCE. Numa CONTA feita pelo Tribunal de CONTAS, cada estudante das universidades estaduais custariam R$ 9 mil. Como o cálculo feito por quem deveria ser especialista em fazer contas só considerou os formandos, ele passou longe da realidade. O custo médio por aluno das universidades paranaenses é de R$ 2 mil, menos que os R$ 2.400 que o governo gasta para manter mensalmente cada preso (conclusão: o governo Beto Richa, assim como o Estado brasileiro, gasta mais para punir do que para educar).

As universidades, por sua vez, argumentam que a adesão ao Meta4 daria ao governo a possibilidade de controlar politicamente pesquisa e extensão, já que pesquisa e extensão estão diretamente relacionados ao TIDE (Tempo Integral e Dedicação Exclusiva).

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