TCE distorce cálculos para “aumentar” custo por aluno nas universidades estaduais

Das duas uma: ou a tropa de choque do governo Beto Richa (PSDB) está usando estratégia goebblesiana (Joseph Goebbles, que era o que seria hoje considerado “marqueteiro” de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, que dizia que uma mentira repetida se torna verdade) para tentar desmoralizar as universidades estaduais paranaenses; ou quem deveria zelar pelas contas dos órgãos públicos tem dificuldades para… fazer contas! O Tribunal de Contas do Estado (TCE), que começou uma auditoria nas universidades estaduais – principalmente às que resistem à adesão ao Meta4 –, divulgou que o custo médio dos alunos das universidades estaduais variava de R$ 9 mil a R$ 15 mil por mês. O “fato” foi noticiado num cenário em que há uma queda de braço entre universidades que tentam preservar a autonomia e um governo que tenta controlar a folha de pagamento das universidades, o que, segundo as universidades, resultaria em controle político da pesquisa e da extensão – como pesquisa e extensão estão relacionados ao TIDE (Tempo Integral e Dedicação Exclusiva), o governo poderia decidir o que deve ser pesquisado ou não concedendo TIDE ou não.

O “fato” criado pelo TCE e aproveitado pelo governo Beto Richa foi desmontado pelas universidades e por pessoas que fizeram operações aritméticas. Duas dessas pessoas que resolveram fazer as contas são jornalistas qualificados e que gozam de credibilidade: Rosana Felix e Rogério Galindo, ambos da Gazeta do Povo.

Rosana Felix buscou as informações e fez as contas, numa reportagem que virou do avesso as contas do Tribunal de Contas: dividiu o orçamento das sete universidades estaduais (R$ 2,1 bilhões em 2016) pelo número de alunos (84,8 mil alunos). O resultado: R$ 25 mil por aluno ao ano, o que dá pouco mais de R$ 2 mil por aluno/mês. Ela matou a charada: o cálculo do TCE dividiu os R$ 2,1 bilhões pelo número de formandos (e não pelo total de estudantes). Como foram 18.726 formandos em 2014 (ano calculado pelo TCE), a média de investimento por aluno, nas contas do Tribunal de Contas, ficou em R$ 9 mil.

Galindo, no blog Caixa Zero, fez uma comparação interessante: em apenas uma das universidades o valor mensal investido na formação de cada aluno foi superior aos R$ 2,4 mil que o governo gasta mensalmente com cada um dos presos na Penitenciária Central do Estado.

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