Jamil Janene e o Baile da Ilha Fiscal

A fala do vereador Jamil Janene (PP) sobre os conselhos municipais, rebatida pelo Participa Londrina, demonstra a total desconexão dos assim chamados “políticos” com a realidade do país. Jamil debocha dos Conselhos como forma de controle social e diz que se fossem bons, teriam “barraca no camelódromo”, reproduzindo o ditado popular de que se “conselho fosse bom seria vendido”. As democracias representativas estão em crise em todo o mundo, justamente porque, sequestrada pelo poder econômico, a soberania popular não é respeitada e os, por assim dizer, “representantes”, não estão preocupados com aqueles a quem teoricamente representam. O problema é global e nos países sérios, é tratado com cuidado e preocupação por toda a sociedade – há até alguns “políticos” que se preocupam com isso. No Brasil, além das vísceras desse problema serem expostas por Odebrecht, JBS, pixuleco e “tem que ser um [pra pegar a mala de propina] que a gente mate antes de chegar na delação”, o agravante é esse eterno clima de Baile da Ilha Fiscal que as elites política e econômica insistem em manter. O Baile da Ilha Fiscal, é sabido, foi aquele luxuoso baile ocorrido seis dias antes da queda da Monarquia. É a versão tropical do, na falta de pão, “dê brioches ao povo”, símbolo da falta de sensibilidade social e política.

A fala de Jamil é uma demonstração da política de costas para a sociedade. Ignora a profunda desmoralização do sistema político brasileiro e se recusa a problematizar a questão e ao menos tentar restabelecer a legitimidade de um sistema representativo completamente corroído por vícios e escândalos. E que sim, atinge todos os políticos. Em tempos como o que vivemos, restringir a participação popular às urnas e não reconhecer a legitimidade da participação popular é apenas mais uma forma de fingir que nada está acontecendo. E é a pior delas. É o “Baile da Ilha Fiscal” em Londrina.

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