UEL reage a bloqueio de 6 milhões imposto pelo governo do Paraná

Por Gabriel Ruiz com contribuições de Danylo Alvares

No dia 30 de maio o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) bloqueou de forma arbitrária mais de R$ 6 milhões da Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com o vice-reitor da UEL, Ludoviko Carnasciali, os recursos suspensos, em sua maioria, são próprios da Universidade e não do Estado, oriundos de inscrição do vestibular, serviços veterinários, aulas de educação física, vendas de refeições do Restaurante Universitário (RU), entre outros. “Ficamos muito desanimados, tenho a certeza de que se trata de um controle político porque, ao adotar o meta 4, todas as decisões serão tomadas em Curitiba e não mais em Londrina”, ressaltou Ludoviko.

A professora da UEL e chefe do departamento de Design, Paula Hatadani, concorda que o bloqueio é uma decisão política sob o comando de Beto Richa. “Não tenho nenhuma dúvida de que se trata de retaliação política”. E complementa: “por conta da tentativa do governo de impor o meta 4, alguns setores da universidade já estavam organizando uma campanha unificada para tratar do tema, mas como houve, nesse meio tempo, o bloqueio, resolvemos já lançar a campanha #ForçaUEL como forma de reação e mobilização”.

O Meta 4 é uma tentativa de submeter a folha de pagamentos da universidade ao governo estadual, excluindo sua autonomia orçamentária. Porém, como as universidades públicas possuem autonomia para definir gastos, amparada por Constituição Federal, e entendem que o Meta 4 seria uma forma de condicionar a liberação de recursos a decisões políticas do Estado, o Conselho Universitário Unificado do Paraná (reunindo 7 instituições estaduais, UEL, UEM, Unioeste, UEPG, UNESPAR, UENP e UNICENTRO) foi convocado e decidiu não aderir ao sistema. Dias após a negativa do Conselho, o governador Beto Richa decidiu, sem aviso prévio, bloquear os recursos. Hoje, tanto a UEL, como as demais instituições, já dispõem de dispositivos de controle do orçamento e sobre transparência de todos os gastos.

Estudantes e professores da UEL, contudo, reagiram imediatamente. “Realizamos palestras com os alunos dos cursos do CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes) para esclarecer a situação”, comentou Hatadani. Ela conta também que os estudantes de design de moda fizeram estampas com a hashtag #ForçaUEL para serigrafar camisetas. A ideia é que a comunidade interna utilizasse as camisetas durante um ato, o Cortejo #ForçaUEL, que aconteceu nesta sexta (09), na pracinha do CECA. “Um dos objetivos do ato é o de produzir um vídeo para contaminar mais pessoas, divulgar nas redes sociais e explicar o que está acontecendo na UEL”, diz Paula. O vídeo será produzido por integrantes de uma comissão de comunicação que foi montada durante esta semana.

A aluna de Relações Públicas, Lanah Stievano Consolini é integrante dessa comissão e relata que, além do vídeo, o grupo vai elaborar conteúdo para redes sociais e para a Rádio UEL FM. Ela comenta que outros cursos também estão se organizando. “Os alunos de música e artes cênicas fizeram uma comissão de agitação, com produção de vinheta para a rádio, gritos de guerra e intervenções; o pessoal do design gráfico e artes visuais está produzindo faixas, banners e materiais desse tipo; os estudantes de pedagogia estão se mobilizando para ir às escolas públicas explicar a situação da universidade e os de arquivologia e biblioteconomia estão montando um banco de dados com informações sobre o movimento”, detalha Lanah.

A UEL segue com as atividades desde a suspensão dos R$ 6 milhões, porém, segundo o vice-reitor Ludoviko, a decisão impacta nos projetos de graduação, bolsas para indígenas e verbas de custeio em geral. “Primeiro, o RU será afetado, porque trabalhamos com perecíveis e não temos estoques. Depois, as creches, tanto a do Hospital Universitário quanto a do campus. As aulas práticas de campo também serão prejudicadas, porque os motoristas dos ônibus precisam de diária, alimentação e gasolina. Além de toda verba de custeio, desde o papel higiênico, giz, material de higienização de cozinhas, banheiros”, conclui.

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