TSE retoma julgamento da chapa Dilma-Temer

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a dar resposta hoje para a encruzilhada brasileira e para uma série de ironias. O julgamento da chapa Dilma-Temer, como tem sido chamada no noticiário (Dilma Rousseff, do PT como presidente e Michel Temer, do PMDB, como vice), será retomado hoje, em Brasília, e pode ser decidido até quinta-feira. Isso se não houver um maroto pedido de vistas no meio do caminho – um pedido de vistas que pode ser feito por qualquer ministro, adiando a decisão indefinidamente. Gilmar Mendes, presidente do TSE, já trancou por um ano e cinco meses um julgamento no STF, onde ele é ministro, graças a um pedido de vistas. O julgamento em questão era sobre o financiamento privado de campanhas eleitorais.

Até o advento da delação premiada da JBS, a situação parecia mais confortável para um acordão: absolviam-se os dois ou separava-se a campanha de Dilma da campanha de Temer, condenando a ex-presidente e absolvendo o vice que conspirou e se tornou presidente. Depois que Temer foi pego negociando mesada para manter Eduardo Cunha em silêncio e que o ex-deputado Rocha Loures foi pego – e depois preso – no episódio em que pateticamente corre com uma mala de propina na mão, não há muito o que fazer: se absolver os dois, o TSE terá que dar muitas explicações. Se cassar Dilma e poupar Temer, a corte estará absolutamente desmoralizada.

A grande ironia é que a ação por abuso de poder econômico na campanha eleitoral foi proposta por Aécio Neves, que presidiu o PSDB até ser pego combinando propina com os donos da JBS. E combinando que quem fosse pegar a mala de dinheiro fosse “algum que a gente mata antes dele fazer a delação”. Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio e alvo da frase, foi filmado pegando o dinheiro e está preso. Outra grande ironia é que o mesmo PSDB que entrou com a ação, se mantém apoiando o governo Temer, governo que pode acabar caso o TSE decida por cassar a chapa Dilma-Temer.

Se cassar a chapa, o TSE resolve uma parte da crise política, mandando Temer de volta para casa, diante a insistência do peemedebista em não renunciar, apesar do seu governo estar desmoralizado.

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