Ao atacar universidades estaduais, governo Beto Richa ataca o interior

Ao bloquear os recursos de UEL, UEM e Unioeste como retaliação à não adesão dessas universidades ao Meta4 – o que na prática seria abrir mão da sua autonomia para gerir os próprios recursos humanos, o que é garantido pela Constituição –, o governo Beto Richa (PSDB) copia Jaime Lerner numa das coisas que Lerner tinha de pior: massacra o interior e aumenta a distância com relação à capital. A disputa entre Beto Richa e Lerner para saber quem é o pior governador é parelha. Beto Richa já superou Álvaro Dias no quesito violência contra professores. Mas com Lerner ele disputa o título de pior governo ponto a ponto.

Fecha parênteses: no Paraná, as universidades estaduais são uma das poucas políticas públicas para o interior do Estado. Elas levam desenvolvimento para onde estão instaladas. Elas também levam serviços importantes, como no caso do Hospital Universitário da UEL, em Londrina, um hospital que atende uma vasta região – para ficar apenas em um exemplo. Vários governos têm se esforçado para esmagar esse investimento que não é obra de governos, mas do Estado. Mais do que isso, as universidades estaduais foram construídas pela sociedade paranaense e não por governadores, principalmente aquele tipo de governador que dará a maior alegria aos cidadãos no dia em que se despedir do palácio.

Quando tenta esmagar a UEL, não é a universidade que o ex-prefeito de Curitiba, hoje governador do Estado Beto Richa ataca. Ele está atacando a sociedade, em Londrina e na região, que tem vínculos com a universidade e que são o que são com a colaboração de uma universidade forte e tradicional em Londrina, a quarta melhor estadual do país, perdendo apenas para as gigantes USP, Unicamp e Unesp, todas de São Paulo, Estado dono do maior PIB do país.

UEL, UEM e Unioeste passarão por mais essa crise. Quanto ao atual ocupante do Palácio Iguaçu, seu “governo” também passará, sem deixar saudades. Ele terá que manter o foro privilegiado para enfrentar Lista da Odebrecht, delação da JBS e outras dores de cabeça que o esperam.

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