Omissão política de Marcelo Belinati ajuda a chocar o ovo da serpente

As imagens veiculadas nas redes sociais no último fim de semana, com Guardas Municipais de Londrina uniformizados “pagando flexões”, ao comando do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ), na sede da Guarda Municipal, mostra que a omissão do prefeito Marcelo Belinati (PP) ajudou a chocar o ovo da serpente. Marcelo Belinati errou por omissão ao permitir que um político em pré-campanha eleitoral usasse um prédio público para divulgar a sua mensagem. Embora questionável do ponto de vista legal, esse ainda é o problema “menor“.

No Brasil, a Lei Eleitoral restringe o período oficial de campanha – que inclusive foi encurtada, na “reforma política” comandada pelo ilibado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) –, mas todos os políticos, sem exceção, fazem campanha o tempo todo. Quem redigiu a Lei Eleitoral finge não saber, mas nesse momento, os vereadores e prefeitos eleitos no ano passado, estão em campanha. Eles ainda nem sabem exatamente para qual eleição, mas estão em campanha. E os que não foram eleitos, também. Quando acertam e divulgam seus atos, ganham pontos com o eleitorado. Quando erram e veem os erros expostos, perdem pontos. E isso faz parte da natureza da atividade política. Restringir isso é um erro primário. Ou uma esperteza.

O problema maior é que a omissão do prefeito de Londrina permitiu que Bolsonaro fizesse a sua pregação a profissionais de segurança num prédio público. Os policiais militares foram convidados para a reunião. Não foram, mas a PM não abriu um quartel para Bolsonaro discursar. Os Policiais Federais também foram convidados. Mas a PF não abriu uma delegacia para ser usada como palanque.

O problema é que Bolsonaro é um exemplo pernicioso. Sem cair no que já virou senso comum, de chamar esse caricato candidato a ditador de fascista, a questão é que o discurso do deputado é pernicioso ao processo civilizatório. Ao pregar que existem mulheres que “merecem” ser estupradas, Bolsonaro difunde misoginia (ódio ou aversão a mulheres). E até “legitima” (muitas aspas)  a atitude de um homem rejeitado pela mulher, que por ventura queira pegar uma arma do próprio Estado para matar a mulher que o rejeitou. E matar também os familiares dela.

O discurso que legitima o abuso da violência como método de trabalho policial incentiva a cultura “robocop”, que se traduz no “esculacho” cotidiano contra os que são vistos como “suspeitos”, simplesmente por serem o que são: majoritariamente negros e pardos, jovens, moradores das periferias e pobres. E trabalhadores. Quem faz isso parece ignorar que é essa maioria silenciosa e silenciada quem, no fim das contas, paga os salários dos profissionais de segurança que os “esculacham”. Embora a Fiesp brinque de “impostômetro”, quem mais compromete a sua renda com impostos no Brasil são os que têm menor renda e não têm poder aquisitivo para comprar bancadas e nem ter acesso aos Carfs da vida, onde também há decisões à venda.

Se quiser ter uma Guarda Municipal que não veja o cidadão como “inimigo”, o prefeito Marcelo Belinati deveria dar menos espaço aos que atentam contra o processo civilizatório e abrir as portas da instituição a quem tem algo mais relevante e positivo a dizer.

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