Com “incêndios” na base, administração municipal retira o Profis de pauta

A retirada de pauta por tempo indeterminado do Profis, na sessão de ontem da Câmara, sinalizou que o prefeito Marcelo Belinati (PP) está enfrentando pela primeira vez um incêndio na sua relação com a Câmara. E inclusive na sua base. A administração municipal pediu urgência na tramitação do Profis e tem pressa em vê-lo aprovado o quanto antes, para que a prefeitura comece a arrecadar recursos da dívida ativa. A retirada aconteceu porque a liderança do prefeito na Câmara não tinha certeza de contar com os votos necessários para aprovar a matéria – isso num Legislativo em que, como sempre os governistas são maioria.

O “incêndio” que ameaça Marcelo Belinati tem dois focos. O primeiro é o que tem maior apelo entre os vereadores, pois toca no corporativismo: a nomeação de Fábio Cavazotti para a Secretaria de Gestão Pública desagradou os vereadores. A atuação do novo secretário no Observatório de Gestão Pública e no Conselho Municipal de Transparência desagradou os vereadores por uma questão corporativa: críticas ao uso de cargos comissionados pelos vereadores.

Contas públicas

O segundo foco de incêndio é um pouco mais complexo e por isso tem menos “popularidade” entre os vereadores: há um descontentamento, por enquanto localizado, com os números que a administração municipal vem apresentando a respeito das contas públicas. Esse incêndio é localizado porque poucos vereadores conseguem ter compreensão desses números.

A queda de braço é a seguinte: o secretário da Fazenda, Edson de Souza, tem dito que, sem ajustes, a prefeitura chegaria ao fim deste ano com um déficit de R$ 120 milhões e dificuldades, inclusive para pagar o salário do funcionalismo. Os números são contestados pelo Sindserv, o sindicato que representa os servidores públicos municipais, e que também faz o acompanhamento das contas.

As contas do Sindserv divergem dos números da Secretaria da Fazenda. No acompanhamento do sindicato o déficit seria de R$ 21 milhões, bem menos que os R$ 120 milhões apontados por Souza. Ainda segundo o sindicato, com o Profis e outros recursos que a prefeitura deve receber, em vez de déficit, a prefeitura poderá ter um superávit de R$ 51 milhões.

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