Certeza de impunidade; diretas já!

Só há uma explicação para que o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB) tenham sido gravados negociando propina em pleno março de 2017, três anos depois de noticiário diário sobre a Lava Jato na imprensa: certeza de impunidade. No estágio atual das delações, as investigações que passaram pelo STF já atingiram todos os principais partidos políticos brasileiros. Já atingiram ex-presidentes, senadores, governadores, o próprio atual presidente – atingiram pelo menos no que diz respeito a citações.

Mesmo assim, Temer negociou o pagamento de propina para comprar o silêncio de Eduardo Cunha (PMDB/RJ), de quem ele sempre foi refém. Mesmo assim, Aécio Neves negociou propina para pagar advogado. Isso demonstra que mesmo num momento de forte vigilância da sociedade, os políticos brasileiros não se sentem intimidados para fazer negociatas.

O governo Temer acabou, mas não só ele. Acabou o período inaugurado com a chamada “Nova República”, depois do fim da ditadura militar. O problema conjuntural é que um impeachment ou uma renúncia de Temer levaria, constitucionalmente, a eleições indiretas, o que representa um cenário sombrio: o colégio eleitoral que elegeria o presidente-tampão seria o Congresso Nacional, um Congresso desmoralizado e sem representatividade. A única saída legítima é pelas urnas. Só com a convocação de eleições diretas será possível enfrentar de forma democrática essa crise política e institucional.

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