Incômodos para os colegas, Boca Aberta e Barros deverão ter destinos diferentes

Apesar de os vereadores estarem irritados tanto com Émerson Petriv (PR), o Boca Aberta, quanto com Filipe Barros (PRB), protagonistas de episódios desastrosos que geraram a primeira crise interna da Câmara em cinco anos, os dois deverão ter destinos diferentes. Para Boca Aberta, o cadafalso já está montado: só falta o rito para a execução política do vereador. Nem ele acredita ter votos para evitar uma cassação. Para Barros, o roteiro deve se restringir a um processo na Comissão de Ética que provavelmente acabe com uma censura por escrito. Pena leve para acusações pesadas.

Os episódios envolvendo os dois vereadores são graves, mas há uma diferença fundamental: Boca Aberta incomoda mais da porta para dentro da Câmara; Barros, que é muito gentil com os colegas, incomoda mais da porta para fora da Câmara, com o seu discurso extremista e em vários momentos totalitário.

O discurso extremista e por vezes totalitário de Barros só incomoda os vereadores quando os ofendidos por ele ocupam as galerias da Câmara para protestar, como aconteceu ontem. Nada que seja incontornável. De resto, é provável que alguns vereadores não só não se deem conta da gravidade do discurso totalitário, como sequer saibam do que se trata a palavra totalitarismo. Já Boca Aberta incomoda tanto pela forma quanto pelo conteúdo. Ao doar a maior parte do salário para o Hospital do Câncer – atitude para a qual podem ser feitas várias leituras, inclusive a de que se trata de demagogia –, Boca Aberta incomoda porque discute na prática e com um ato de forte simbolismo o valor do salário dos vereadores.

A diferença entre os dois é que o comportamento de Boca Aberta cria internamente situações incontornáveis. A cena de quarta-feira, quando Petriv quase transformou o plenário em octógono foi a gota d´água que faltava para destravar um processo de cassação contra ele. Com esse episódio, Boca Aberta ganhou notoriedade, mas perdeu o que restava de razão e de argumentos para se defender. De qualquer forma, fica claro que ele incomoda mais dentro do que fora da Câmara.

Falar em corporativismo dos vereadores é lugar comum: a se confirmar esse roteiro, com Boca Aberta cassado e Barros sofrendo no máximo uma censura pública, confirma-se também a lógica não declarada mas colocada de forma sutil no inciso XII do artigo 2 do Código de Ética Parlamentar: os vereadores devem respeito primeiro aos colegas, depois às autoridades, depois aos servidores da Câmara e por último ao cidadão. Boca Aberta desrespeitou servidores e médicos da UPA, mas principalmente ofendeu outros vereadores. Barros ofendeu cidadãos. Ainda mais “vagabundos” que aderiram à Greve Geral de 28 de abril e, pela fala do vereador, principalmente sindicalistas da CUT.

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