Problemas com vereadores canalizam a energia e a agenda da Câmara e enfraquecem a fiscalização

Com uma Câmara na qual as atitudes de dois vereadores ocupam a energia política e a agenda do Legislativo, a tendência é de que o prefeito Marcelo Belinati (PP) tenha vida fácil e pouca fiscalização. O teste acontecerá quando e se a atual administração mandar para o Legislativo o projeto que tem o maior potencial polêmico, a revisão da planta de valores. Até lá espera-se que os vereadores mais centrados consigam dominar a agenda e fazer com que a Casa ganhar ares de normalidade, o que está fazendo falta nesse momento.

O interessante é que na comparação com a atual, a Legislatura anterior parecia um parlamento europeu. O maior imbróglio envolvendo atitudes excêntricas na Legislatura passada, teve o vereador Joaquim Donizete do Carmo (então no PDT), o Gaúcho Tamarrado (nunca é demais lembrar que a excelência é natural de Minas Gerais) como protagonista. Ele faltou a uma sessão por conta de um tratamento médico – na vista –, mas não faltou a um jogo de sinuca, no mesmo dia em que apresentou atestado para não comparecer à sessão. E foi o grande barulho na Câmara nesse período. Nada que se pareça minimamente com cometer abuso de autoridade contra servidores ou chamar trabalhadores em greve de “cambada de vagabundos” e defender “porrete” contra eles.

Mesmo com uma Câmara bem comportada (na comparação com a atual) e por isso com capacidade para se fortalecer, o ex-prefeito Alexandre Kireeff (PSD) teve vida relativamente fácil na relação com o Legislativo. Sua única derrota significativa foi não ter conseguido a correção da planta de valores. De resto, teve que prestar muitas informações pedidas pelos vereadores e teve aprovado quase tudo o que era mais importante para a sua gestão.

Com um Legislativo que precisa gastar tempo e energia para analisar comportamentos excêntricos, a tendência é de que a capacidade da Câmara de fiscalizar a gestão Marcelo Belinati seja bem menor.

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