Massacre do Centro Cívico completa dois anos hoje

Há dois anos, no começo da tarde de 29 de abril, a Polícia Militar bombardeou por mais de duas horas servidores estaduais que protestavam no Centro Cívico contra as mudanças que o governo Beto Richa (PSDB) tentava fazer na ParanáPrevidência, com uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa. Enquanto as bombas ainda ecoavam do lado de fora do prédio da Alep, a obediente bancada governista aprovou as medidas, que hoje são questionadas pelo Tribunal de Contas do Estado, que com dois anos de atraso afirma que o fundo de previdência pode acabar bem antes do que previa o governo na época em que aprovou a medida.

Dois anos depois, o governo Beto Richa vive às turras, particularmente aos professores da rede estadual de ensino – que na época impuseram uma derrota midiática ao tucano, derrubando seus índices de aprovação – e às universidades estaduais. A palavra “perseguição” aparece com frequência nos segmentos preferencialmente combatidos pelo governo. Beto Richa disputa com Jaime Lerner o posto de pior governador da História do Paraná. A sorte do Paraná é que o governo Richa acaba em cerca de um ano, quando ele se desincompatibilizar para disputar uma cadeira no Senado. Mas o legado de Richa infelizmente ultrapassará esses 12 meses, assim como o legado de Lerner é pago até hoje pelos paranaenses – vide os pedágios caros e com pistas simples e a dívida do Banestado, que ainda será paga por algumas décadas adiante.

Richa é investigado com autorização do STJ pela Operação Publicano. Também será investigado por conta da delação da Odebrecht. Há suspeitas contra o governo do Estado também na Operação Quadro Negro. Administrativamente, Beto Richa quebrou o Estado ao final do primeiro mandato. Fez um ajuste fiscal draconiano, aumentando impostos, mas as contas seguem ruins, apesar do aumento da arrecadação. O que aumentou, além dos impostos, foram os investimentos em publicidade, para vender a ideia de um governo que só funciona quando os aparelhos de televisão ou de rádio estão ligados.

Se politicamente é um desastre por não dialogar com a sociedade, tecnicamente, a gestão Beto Richa é pífia. Até hoje, penúltimo ano do segundo mandato, o governo do Estado não conseguiu concluir a duplicação de um trecho urbano de 17 kms da PR-445, que segundo o discurso oficial, ficaria pronto em setembro de 2012, antes do primeiro turno das eleições que ele venceu com mais de 80% dos votos válidos dos londrinenses. E assim caminha esse governo, do qual se conta os dias para saber quando ele vai acabar.

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