Com sindicatos, LGBT, anarquistas e estudantes, movimento unificou os descontentes

A manifestação da manhã desta sexta-feira, em Londrina, teve de sindicatos e sindicalistas de todas as tonalidades políticas, unificados pelo combate às reformas Trabalhista e da Previdência, a ativistas e movimentos sociais de diversas tonalidades, de artistas de rua a LGBT e anarquistas, unidos também contra as reformas, assim como contra o governo de Michel Temer (PMDB).

LGBT

Um ativista entrega um panfleto intitulado “LGBT contra Temer”, com uma sugestiva foto no qual dois homens estão juntos e um deles segura um cartaz com o dizer “Amar sem Temer”. “Não é de hoje que sabemos como o governo golpista de Michel Temer vem nos arrastando há pelos menos 50 anos atrás na questão de direitos: educação saúde, assistência social, dentre outros serviços públicos que auxiliam a vida social sendo destruídos”, diz o texto. No panfleto, o movimento LGBT faz críticas à PEC que congela os investimentos do governo por 20 anos, aprovada no ano passado. Na avaliação do movimento, essa PEC “prejudica as já frágeis políticas direcionadas à população LGBT, como as campanhas e atendimento do SUS e o processo transexualizador que já é precarizado”.

O movimento afirma no texto que o LGBT está sofrendo “ataques mais direcionados”, como “a retirada de ‘identidade de gênero’ e ‘orientação sexual’ da Base Curricular”. O entendimento é de que essas medidas desobrigam as escolas de promover “medidas que visem diminuir desigualdades”. “Com a Reforma da Previdência há também desmonte da seguridade social, assim como os Centros de Referência LGBT que prestam atendimento jurídico, psicológico e assistencial, estarão altamente ameaçados, o que demonstra como este governo não está comprometido com a superação da violência e desigualdades que resultam de um grande processo de exclusão dos/as LGBT”, conclui o texto com o qual o movimento sai do “armário” político, chutando a porta de Temer.

Coletivo Ação Direta

Na hora em que o carro de som começa a tocar o Hino Nacional, um grupo de jovens vestidos de preto, com o rosto coberto e empunhando bandeiras vermelhas e pretas se retira para a traseira do “palanque” improvisado. Ensaiam vaias à letra de Joaquim Osório Duque Estrada e à música de Francisco Manuel da Silva. Uma colega ao lado pergunta: “ué, estão vaiando o hino?”.

Sim, eles fazem jus à tradição anarquista, que nas primeiras décadas do século XX foi hegemônica no movimento sindical brasileiro. As vaias expressam o slogan “nem pátria, nem patrão”. É o grupo do Coletivo Ação Direta (CAD), que também participou da manifestação. A indumentária, eles explicam num panfleto impresso em frente e verso. “Cobrir o rosto e se vestir de preto nos atos faz parte de uma tática de protesto e proteção. Os protestos que incomodam as autoridades sofrem grande repressão e esta tática visa proteger das repressões e agressões aos demais manifestantes e proteger também quem está no confronto à repressão, pois podem ser perseguidos antes e depois dos protestos”, diz o texto. “Portamos a bandeira negra e/ou vermelha e negra nos atos, a vermelha simbolizando a luta dos trabalhadores e a negra simboliza a luta contra todas as formas de opressão”, prossegue a explicação.

O CAD se apresenta como uma “organização política anarquista”. “Não recebemos qualquer financiamento de partidos, pois somos autônomos”. Defende a ação direta: “que a classe trabalhadora deva se organizar imediatamente para exigir seus direitos, sem qualquer subordinação a partidos políticos”. E que “os sindicatos devem ser totalmente livres de interesses que não sejam os dos trabalhadores”. A justificativa: eles acreditam no “potencial da classe trabalhadora, a classe que sustenta e gera toda riqueza de onde vivemos, mas que não usufrui desta riqueza, pois é roubada pelos ricos, com a ajuda do Estado”.

No texto o CAD diz que está “se inserindo nos movimentos sociais, nos movimentos de luta e de proteção dos direitos da classe trabalhadora, visando a ampliação e garantia dos direitos que foram conquistados há anos; se opondo a qualquer estrutura e forma de opressão; visando a prática da democracia direta, onde podemos atuar como cidadãos ativos e tomar decisões que nos afetam e que fazem parte do nosso dia a dia, ao invés de assistir falsos representantes que nem escutam o seu eleitorado e governam para si mesmos e para os financiadores de suas campanhas”. Estão apresentados: é o que pensam os jovens de preto e rosto coberto e porque eles se vestem assim.

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