Caso Boca Aberta – chegou a hora de discutir o verdadeiro problema: a fila

A Comissão de Ética Parlamentar (CEP) da Câmara de Londrina acertou ao decidir pela censura por escrito ao vereador Émerson Petriv (PR), o Boca Aberta, no caso da fiscalização da escala de plantões na UPA do Jardim do Sol. Houve abuso de autoridade por parte de Boca Aberta, o que é grave, mas não o suficiente para cassar um mandato. Daí o acerto na medida. Em caso de reincidência, uma eventual punição será um pouco mais forte. Se fosse futebol, Boca Aberta teria tomado um cartão amarelo.

Resolvido o problema disciplinar, é o momento de discutir o que originou todo o barulho: os furos alegados pelo vereador nas escalas de plantão da UPA do Jardim do Sol, que geram grandes filas e sofrimento para os usuários do serviço. Até aqui, a atitude teatral de Boca Aberta serviu apenas para colocar a questão na agenda, embora desfocada por conta do debate sobre o abuso de autoridade. Quatro meses depois, não há sinais de que a administração municipal tenha resolvido ou amenizado o problema. Embora esteja à frente da prefeitura há pouco mais de 100 dias, tempo que não é suficiente para resolver definitivamente o problema, a nova gestão ainda não sinalizou como pode fazer a escala funcionar, diminuindo o tempo na fila.

Quanto a Boca Aberta, o vereador não baixou o volume diante da Comissão de Ética: atacou os seus membros – sem entrar no mérito dos argumentos, mas lembrando que existe réu em processo por improbidade administrativa dentro da comissão – e atacou os vereadores “veteranos”. Seus métodos não demonstraram eficácia. A tática do megafone, usada pelo vereador, faz barulho, provoca sensação, gera cliques na internet e pode até resolver problemas eleitorais – para o vereador que usa a estratégia. Embora chame a atenção para uma agenda importante para a sociedade, a estratégia de Boca Aberta não é eficaz porque não colabora para que os usuários do serviço se organizem e ganhem protagonismo na cobrança por melhoras no serviço, o que poderia forçar a administração municipal a se empenhar ainda mais na sua solução.

Se os usuários se organizassem para fiscalizar e cobrar providências, Petriv (ou qualquer outro vereador) se tornaria um mediador desnecessário. A grande prova de que o método Boca Aberta tem fortes limitações é que nem uma mínima parcela dos que vibram, curtem e compartilham os seus vídeos no facebook se dispôs a desligar o computador ou o celular e ir à Câmara para defender o seu mandato. E as autoridades responsáveis por melhor o serviço não parecem nem um pouco incomodadas com Boca Aberta e nem com uma fila desorganizada e passiva. A fila incomodaria mais se tivesse mais vozes para protestar, em vez de uma única voz no megafone ou nas redes sociais. Aí a conversa com as autoridades responsáveis por resolver o problema ganharia outro tom.

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