Retomada da delação de Souza começa a ser testada hoje

A partir da tarde dessa sexta-feira, começa a ser testada a eficácia da retomada da delação premiada do auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, firmada com o Ministério Público em fevereiro, depois de o principal delator da Operação Publicano ter ameaçado “implodir” o processo, numa audiência da Publicano 4,fazendo questionamentos quanto à postura do MP e abrindo margem para que advogados dos outros réus pedissem a anulação do processo. Hoje à tarde Souza será interrogado na ação penal da terceira fase Publicano e pode começar a abrir o caminho para a passagem da PEL para a prisão domiciliar. Tudo depende da eficácia e das provas que ele venha a apresentar.

A expectativa para hoje é de que Souza revele novas informações sobre a chamada “sala da propina”, uma sala comercial localizada no Centro de Londrina e que, segundo a denúncia do Ministério Público, seria usada para os auditores que participavam do esquema fazer reuniões e guardar dinheiro de propina. Entre as novidades que Souza pode ter na manga, o volume de dinheiro em espécie guardado na “sala da propina” e a quem pertencia esse dinheiro. A sala pertence a Souza e foi entregue ao poder público, como parte da retomada do acordo de delação premiada. De acordo com o Gaeco, auditores fiscais, empresários e contadores formaram uma “organização criminosa” para facilitar a sonegação fiscal mediante o pagamento de propina.

Publicano 4

O interrogatório de Souza marcado para essa sexta-feira deve ser um passeio no parque, se comparado ao que se espera para a segunda-feira, dia 3 de abril, no Tribunal de Júri. Na oportunidade, o delator será novamente interrogado na ação penal da Publicano 4. No começo de fevereiro, numa primeira tentativa de interrogatório, ele disse que não se recusaria a prestar informações, mas pediu as gravações de depoimentos feitos pelo Gaeco e acusou o órgão de não apresentar todas as gravações. O Gaeco respondeu que nem todos os depoimentos foram gravados devido a limitações técnicas. As audiências foram suspensas e serão retomadas semana que vem, dois meses depois.

Para a segunda-feira a expectativa é de que se não todos, a maioria dos advogados que representam os outros réus façam questionamentos, na tentativa de desmontar os argumentos de Souza.

Dependendo da performance de Souza e da sua capacidade de apresentar provas, ele poderá estar perto de deixar a PEL, rumo à prisão domiciliar. Ele poderia ter ido para a prisão domiciliar em julho do ano passado, mas o Gaeco considerou que o delator quebrou o acordo, porque teria obrando propina de um empresário, mesmo de dentro da PEL, para não citá-lo nos depoimentos. Souza nega essa acusação, que é discutida na ação penal da quinta fase da Operação Publicano.

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