Nota de repúdio – despejo em Porecatu

Movimentos sociais divulgaram uma “nota de repúdio” contra a tentativa de despejo realizada na semana passada, em Porecatu, num acampamento do MST. Baixo Clero publica a nota na íntegra

 

No contexto de avanço dos interesses hegemônicos do capital, nos diversos campos da sociedade brasileira, representado, dentre outros, pelo agronegócio que se utiliza da financeirização e da acumulação de capital, da mercantilização dos bens da natureza, gerando concentração e estrangeirização da terra, contaminação dos alimentos por agrotóxicos, destruição ambiental, exclusão e violência no campo, se multiplicam as ações arbitrárias contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais e a criminalização dos movimentos sociais que lutam em defesa uma reforma agrária popular.

Diante disso, nós, professores e estudantes pertencentes aos diversos cursos, grupos, projetos, programas de ensino, de pesquisa e de extensão da Universidade Estadual de Londrina, abaixo assinados, repudiamos toda forma de criminalização dos movimentos sociais, em especial, toda a violência cometida contra as famílias ocupadas no acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu.

Reiteramos que a ausência do Estado na efetivação de uma política de Reforma Agrária e o consequente avanço do agronegócio têm acirrado a violência contra a classe trabalhadora, resultando na morte e na prisão de trabalhadores e trabalhadoras do campo, reproduzindo o histórico massacre de Eldorado dos Carajás, ação violenta da polícia militar contra os trabalhadores rurais sem terra, que deixou 21 mortos, ocorrido na região sul do Pará no ano de 1996. Em nosso estado, não podemos nos esquecer do recente episódio de Laranjeiras do Sul, na região oeste do Paraná, que resultou em quatro mortes de trabalhadores rurais.

O MST tem se constituído ao longo de sua existência como espaço pedagógico para estágios, trabalhos e projetos de ensino, pesquisa e extensão, relevante para a formação dos estudantes de diversos cursos de graduação e pós-graduação da UEL. Os assentamentos e acampamentos têm sido território de aprendizagens para a produção de alimentos saudáveis, na perspectiva da agroecologia e para a educação promovida pelas escolas itinerantes, no âmbito dos Ciclos de Formação Humana e dos Complexos de Estudos.

No final do mês de Abril realizaremos a IV Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária e conclamamos todos e todas a participarem deste espaço acadêmico constituído para estudo, reflexão e diálogo com os Movimentos Sociais e populares em defesa da Reforma Agrária Popular.

 

Londrina, 08 de março de 2017

 

Programa Diálogos Formativos com o campo

Núcleo de Pesquisa em Comunicação Popular (NCP)

Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos

Levante Popular da Juventude

Observatório da Questão Agrária no Paraná

Grupo de Estudos Agrários (LATEC/UEL)

Grupo de Estudos Avançados sobre o Meio Ambiente (GEAMA)

Curso de Especialização em Comunicação Popular e Comunitária

Curso de Especialização em Educação de Jovens e Adultos

Comissão Universidade para os índios da UEL (CUIA)

Programa de Bolsas de Iniciação à Docência – Geografia

Núcleo Estudos Afro-Brasileiros (NEAB)

Laboratório de Comunicação e Crise do Capitalismo (CUBO)

Grupo de Pesquisa sobre Modos de Produção e Antagonismos Sociais (MPAS)

Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos – Região Londrina.

Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *