Só falta levar a pizza ao forno

Os ingredientes já foram organizados e só falta levar a pizza ao forno. É isso: a pizza da Lava Jato está pronta para ir ao forno, no Supremo Tribunal Federal (STF), o que ajuda a explicar a pressa do governo Michel Temer (PMDB) em apressar o ingresso do seu ex-ministro da Justiça, Alexandre Moraes, que era filiado ao PSDB (acusado de plagiar um autor espanhol num livro de sua autoria), para reforçar a equipe da pizza.

Uma notícia publicada na semana passada pela Folha de S. Paulo reforça a ideia de que a blindagem final dos políticos contra a Lava Jato está pronta: uma discussão de bastidores no STF no sentido de revogar a prisão preventiva do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o que evitaria que Cunha, que sabe muito, poderia fazer um acordo de delação premiada. O motivo: uma eventual delação de Cunha poderia revelar “negócios entre grandes empresários, congressistas e governo” e “poderia afetar ainda mais a estabilidade do país”. O principal porta-voz dessa corrente é o ministro Gilmar Mendes, que viajou junto com Temer a Portugal e já visitou o presidente – que ele teoricamente investiga no TSE. Ele diz, na reportagem da FSP, que o STF “tem encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba”.

O roteiro é evitar a delação de Cunha para evitar novos estragos que afetariam uma quantidade ainda maior de políticos. A operação interessa o governo Temer, que tem diversos ministros sob suspeita de corrupção na Lava Jato e que criou um cargo de ministro para dar guarida e foro privilegiado a Moreira Franco, tratado como “Angorá” na lista da Odebrecht, onde ele aparece 34 vezes, só em uma das delações – Temer é tratado como MT na mesma lista, onde ele aparece 43 vezes, só em uma das delações.

Nada disso surpreende: o governo Temer tem duas missões. A primeira é impor uma agenda que não foi aprovada nas urnas, em 2014, agenda essa que passa por avançar sobre direitos trabalhistas e reduzir investimentos na área social. A segunda é “estancar a sangria” da Lava Jato, como ficou claro numa conversa entre o hoje delator Sérgio Machado e o senador Romero Jucá (PMDB), um dos ministros de Temer que já caiu. Pela conversa, a proposta era cassar o mandato da ex-presidente Dilma Roussef (PT), porque o PT perdera a capacidade de controlar a Lava Jato. Coisa que um novo governo, numa coalisão de PMDB com PSDB, poderia fazer.

A tese do “solta Cunha” está aí para mostrar que o plano está em plena execução. Com as bençãos de parte do Supremo, no qual Temer tem pressa em reforçar a bancada dos defensores dessa tese.

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