Política de cotas promoveu uma “revolução”, diz coordenadora do Neab

A política de cotas raciais, para negros oriundos de escolas públicas, aumentou a presença dos negros nas universidades brasileiros. Se no começo do século o percentual de estudantes negros nas universidades brasileiras era de 2% a 4%, hoje esse percentual subiu para 15%, segundo os dados oficiais. Os 15% ainda estão muito longe de representar o peso dos negros na demografia brasileira, já que 54% da população brasileira é negra. Mas na avaliação da coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Nilza da Silva, essa já é uma pequena “revolução” na vida do país. “É realmente revolucionária [a política de cotas], estão incluindo pessoas que ficaram mais de um século fora da universidade”, argumentou. “Se passaram quase 130 anos da abolição e só agora os negros estão ingressando nas universidades”, completou.

Maria Nilza, que faz parte da Comissão Permanente de Acompanhamento e Avaliação da Política de Cotas da UEL, que analisou o impacto da política na universidade e que defende a manutenção da política, lembrou que “não existe nenhuma justificativa para que os negros ficassem fora da sociedade”. A única “justificativa” até aqui era social, o racismo entranhado na sociedade brasileira, o que ela chama de “racismo estrutural que excluía e exclui grande parte da população” brasileira – na verdade, a maioria.

Ela acredita que com a manutenção das cotas a presença de negros nas universidades deve ser ampliada. Principalmente porque, mesmo depois de 13 anos da implantação do programa, a divulgação ainda é tímida e não atinge grandes contingentes de estudantes negros que estão no ensino médio, que é a antessala do ensino superior.

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