Em vez do silêncio total, ex-delator questiona fidelidade dos depoimentos

Em vez do silêncio total, a nova estratégia adotada pelo auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, ex-delator da Operação Publicano, é questionar a fidelidade da transcrição de seus depoimentos, enquanto tenta reverter a anulação do acordo, feita no ano passado, quando da quinta fase da Publicano. O argumento defendido ontem por Souza foi de que “os depoimentos [sua transcrição] não correspondem ao que eu falei”. “Se eu trouxer a versão correta, vão dizer que eu estou mentindo”, declarou. “Quero que venham os vídeos para que a verdade veio à tona”, completou Souza, fazendo uma espécie de aposta. Ele sustentou que se o que ele disse “for mentira”, abre mão de todos os recursos a que tem direito. “Não tenho medo, vou ganhar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Outro ponto da estratégia foi poupar o hoje procurador Cláudio Esteves, que coordenava o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) até meados de 2015, quando foi firmado o acordo de delação premiada, confrontar o promotor Jorge Costa, que não estava ontem na audiência e emparedar Leila Schimiti, que representava o Ministério Público no ato. “Quando o Cláudio Esteves esteve à frente [do Gaeco] tudo era feito de forma correta. Ele foi embora e virou uma zorra”, disparou Souza.

A estratégia foi lançada na semana passada, quando o advogado do delator, Eduardo Duarte Ferreira, protocolou junto ao Gaeco um requerimento pedindo cópias das gravações dos depoimentos dessa fase da Publicano. A resposta, segundo ele, foi de que os depoimentos da Publicano 4 não existem, não foram gravados. “Não é direito ao silêncio, é direito à verdade”, justificou o advogado.

A promotora Leila Schimiti disse que “o MP sempre agiu com lealdade dentro do processo” e que não participou da parte inicial das investigações, quando esteve na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Ela foi para o Gaeco depois da promoção de Esteves. “Com relação aos depoimentos coletados com a minha participação, não houve vídeo, sobretudo o da Publicano 4”, afirmou. Segundo ela, todos os documentos “foram juntados aos autos” e as informações sobre quem tinha direito a foro privilegiado foram encaminhadas a Curitiba.A promotora argumentou que o MP não tem condições técnicas de gravar todos os depoimentos.

O ponto de partida das investigações dessa fase são informações de um pen drive apreendido com Souza em janeiro de 2015. O ex-delator passou horas decodificando as informações desse pen drive que segundo a denúncia feita pelo MP indicam empresas fiscalizadas, quem as fiscalizou, valor pago de propina e divisão da propina.

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