O “timing político” do mato

No começo da segunda semana de mandato do prefeito Marcelo Belinati (PP), o mato já está engolindo a cidade –em algumas áreas mais, em outras menos. O fato é que até áreas em que a grama nunca superou a marca dos 5 centímetros – como no aterro do Lago Igapó, impecavelmente aparada durante os quatro anos da gestão de Alexandre Kireeff (PSD) –, o mato começa a tomar conta.

Falar em intencionalidade nesse caso, seria leviano. Mas existem dois fatos inegáveis: primeiro que o gramado não se transforma em matagal em apenas nove dias. E segundo que há 10 dias, quando o novo prefeito foi empossado, a situação não era essa. Claro: a combinação de calor com chuva resulta, inapelavelmente, em mato alto.

A CMTU tem números para explicar a situação. Segundo o órgão responsável pela capina e roçagem das áreas públicas da cidade – serviço que é feito por empresas terceirizadas, contratadas pelo órgão público –, a atual administração herdou os contratos desses serviços com 70% de contingenciamento. Significa que no final da gestão Kireeff, só estavam sendo liberados recursos para a capina e roçagem de 30% da cidade, o que justifica o crescimento do mato que é visto agora em várias áreas da cidade.

O contingenciamento foi necessário para fechar as contas da cidade. Em maio, a projeção era que a prefeitura fecharia as contas com um déficit de R$ 75 milhões e atraso na folha de pagamento. A previsão catastrófica não se confirmou porque foi implantada uma economia de guerra. O contingenciamento dos contratos de capina e roçagem foi uma dessas armas.

Ironicamente o mato alto será a primeira temporada de queixas contra a prefeitura nesse verão de 2017. Sem intencionalidade de quem fechou a gestão anterior e com apoio da chuva e do sol, a receita para o desgaste de quem é responsável por esses serviços públicos está pronta para ser servida.

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