Crime da rua Goiás: TJPR libertou Vanda Pepiliasco cinco dias depois de ser presa

Por Nicéia Lopes

 

A defesa de Vanda Pepiliasco conseguiu na Justiça na última segunda-feira (5) habeas corpus. E ela está livre desde o dia 6. Ela havia sido presa no dia primeiro de dezembro, por determinação da juíza Elisabeth Kahter, da 1ª Vara Criminal de Londrina. Vanda Pepiliasco, artista plástica, foi condenada pelo assassinato de sua empregada, Cleonice de Fátima Rosa, no apartamento onde morava, na região central de Londrina. O assassinato da empregada doméstica aconteceu na madrugada de sexta para sábado, no dia 9 de julho de 1993. Vanda de Souza Pepiliasco utilizou uma arma branca para retirar a vida da mulher. Com a decisão do TJ (Tribunal de Justiça) do PR, que concedeu o habeas corpus, a autora do crime que chocou a cidade continua impune.

Memória

A primeira informação que chegou ao plantão da 10ª Subdivisão Policial de Londrina em julho de 1993 foi que Cleonice Fátima Rosa, empregada da família Pepiliasco, “teria se matado”. A notícia foi dada via telefone, por Lauro Pepiliasco, marido de Vanda Pepiliasco.

O corpo foi encontrado nas dependências do prédio onde morava, um tríplex na região central da cidade. Vários problemas marcaram o caso que ficou conhecido como o “Crime da rua Goiás”. A ausência do Delegado de plantão, que não compareceu ao local do crime. O desastrado trabalho rápido dos peritos, que precisaram voltar várias vezes ao local do crime. Sem contar o estranho caso de a arma do crime ter sido deixada dentro do caixão do IML (Instituto Médico Legal), por baixo do corpo da vítima.

No começo das investigações, a polícia acusou Luzia Colombo, também empregada da família, como autora do crime. A afirmação era de que as duas haviam brigado horas antes do crime, por um motivo banal. A policia apresentou Colombo como a autora do crime. Ela havia sido presa e torturada para assumir o crime, como ficou provado depois.

A autora do crime

Apesar das trapalhadas que marcaram o caso, a prova que desvendou o crime estava visível, ou seja, nas unhas da própria vítima. Fios de cabelo de coloração clara, tingido, foram a principal prova que, através de exame de DNA, realizado em Belo Horizonte (MG) e custeado pelo governo do Paraná, apontou Vanda Pepiliasco como autora do crime, confirmando as suspeitas levantadas no começo do caso pelo jornalismo investigativo.

Impunidade

O caso que aparentemente teria sido resolvido, com a identificação da autora, teve mais um capítulo. O resultado do exame de DNA foi entregue em três vias. Lacrado. A primeira nas mãos do delegado substituto, outra para o chefe do Instituto de Criminalística e a terceira à então Juíza da primeira vara criminal. O mandado de prisão foi expedido imediatamente após o resultado do exame. Mas Vanda ficou livre e solta durante muitos anos, sendo presa após 23 anos, no último dia 1 de dezembro, em Cuiabá (MT), onde a família atua no ramo empresarial. Porém, em mais uma decisão da Justiça, agora do TJ do Paraná, a artista plástica mais uma vez foi beneficiada e está em liberdade desde a tarde do dia 6 de dezembro.

Justiça

Entre tantos outros casos de impunidade, Londrina, além de ter sido capital mundial do café, ficou conhecida como a cidade onde impera o poder econômico e político. O que faz com que ricos não sejam punidos pelos crimes que cometem. A cidade foi destaque diversas vezes no programa policial “Linha Direta”, da TV Globo, que foi ao ar entre 1999 e 2007.

O caso do “tríplex da rua Goiás” é um dos que marcaram a história policial da cidade. Apesar da autora do crime ter sido presa e solta apenas cinco dias, ainda restam vários casos parecidos que continuam sem solução. O “Caso Panissa” foi um dos mais chocantes. O empresário Marcos Campinha Panissa matou a ex-esposa com 72 facadas e permanece impune há quase três décadas. Como o Brasil está sendo passado a limpo, que a justiça possa localizar imediatamente o empresário, que nunca sequer pisou numa delegacia de polícia, e rever a decisão que colocou em liberdade a artista plástica e autora de um dos crimes que entraram para a lista dos mais cruéis cometidos por gente da alta classe em Londrina. A sociedade e a família das vítimas anseiam por justiça.

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