Ações contra greve estudantil não disfarçam esforço para a criminalização

As ações com as quais tanto a reitoria da UEL quanto alguns estudantes de Direito tentaram resolver as questões internas da universidade no Judiciário, mostram um mal disfarçado esforço para criminalizar e desqualificar o movimento estudantil. Tanto a reitora eleita democraticamente pela comunidade acadêmica, quanto os estudantes que buscaram seus direitos individuais (é isso que o juiz diz na liminar concedida a eles: “mandado de segurança individual […] não podem demandar em nome próprio a satisfação do direito alheio”), tentam classificar como ilegais as novas formas de mobilização dos estudantes, que entraram em cena nos últimos meses.

No caso da ação dos estudantes, é feita a referência de que a greve era “considerada delito” na Constituição de 1935 e “recurso antissocial nocivo” em 1937, já sob o Estado Novo, o regime ditatorial que Getúlio Vargas implantou a partir de um golpe de estado, sob inspiração fascista. Para dar um verniz democrático à artilharia jurídica, tanto num caso, quanto no outro, afirma-se que os estudantes têm o direito a recorrer à “praça pública”, onde tanto o governo tirânico de Curitiba, quanto a reitoria da UEL – que já escolheu o seu lado – não dão ouvidos a quem desafina o coro dos contentes. Na verdade, a preferência em um caso ou no outro, é pelo silêncio e pela cabeça baixa diante dos desmandos e da tirania.

Se há algo novo nessa “primavera”, tanto a secundarista, de outubro, quanto a dos estudantes da UEL, em novembro, são formas de organização e resistência que colocam em cena uma espécie de “ator coletivo” e horizontalidade na organização. A reação violenta tanto da reitoria que entrou com uma ação de interdito proibitório baseada em boatos e “ouvi dizer”, quanto a dos estudantes que protocolaram a ação na qual argumentam que greve estudantil é “ilegal” porque não há previsão legal para a mesma, demonstra a perplexidade com que os conservadores receberam esses novos formatos.

Para finalizar: até aqui, a mesma reitoria que fala manso com o governo do Estado que sucateia a universidade, ainda não deu uma única palavra sobre o grupo que, sob o pretexto de “limpar” as paredes da UEL, deixou as paredes mais sujas e o ambiente mais pesado. E olha que a reitora foi avisada pela direção do CCH, que só funcionários da UEL podem limpar ou pintar paredes no campus. Mas aí, a questão é de dois pesos e duas medidas.

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