É difícil acreditar na palavra do governador

A greve de várias categorias do funcionalismo estadual (principalmente da educação), em curso no Paraná tem um ingrediente a mais: a falta de credibilidade do governo Beto Richa (PSDB) para dialogar com o funcionalismo público em particular e com a sociedade em geral. A quebra da credibilidade é reflexo de uma trajetória iniciada já na campanha de 2014, na qual o tucano foi reeleito. Como estratégia de marketing, Richa dizia que “o melhor” estaria por vir. Enquanto isso, as contas públicas iam mal. Passadas as eleições, o governador quebrou a palavra, fazendo um ajuste fiscal que aumentou a alíquota de inúmeros impostos – e aquele foi só o primeiro dos quatro “pacotaços” do governo.

O episódio mais recente foi a “revanche” que o governo tenta impor com relação à greve do funcionalismo de 2015. Contrariado, o governo cedeu à pressão até mesmo dos seus aliados, que forçaram um acordo que previa para janeiro de 2017 a data-base deste ano – com a reposição das perdas salariais provocadas pela inflação de 2016. E mesmo antes das eleições – e do recesso da Assembleia Legislativa (Alep) – já era planejada a quebra unilateral do acordo, que acabou sendo concretizada no começo de outubro.

O mais novo recuo do governo, no sentido de retirar temporariamente o projeto que revoga o acordo de 2015, não resolveu o problema da greve iniciada na semana passada. Isso porque apesar do esforço do comando de greve, no caso dos professores da rede estadual, a base, os servidores, não conseguiram acreditar na palavra do governo. E é esse um dos principais problemas desse governo: a palavra empenhada tem pouco valor, porque ela é volátil. Richa se elegeu fazendo comparação com o estilo do seu antecessor, Roberto Requião (PMDB), mas consegue ser pior no que diz respeito a dialogar com a sociedade. Seu governo, que administrativamente é uma tragédia – não consegue nem construir dois viadutos confiáveis na duplicação do trecho urbano da PR-445 – só conversa com quem pensa da mesma forma ou com uma bancada cuja obediência ao governador é cega.

Como não há mal que dure para sempre, faltam pouco mais de dois anos para o governo acabar. Mas parece uma eternidade…

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