Semana começa com “tempestade política” sobre Beto Richa

A semana começa com uma série de motivos para o governador Beto Richa (PSDB) ficar preocupado. A maioria dos motivos vem da educação: no ensino médio os estudantes já ocuparam 470 escolas em todo o estado (23 em Londrina), segundo o movimento Ocupa Paraná e professores e servidores deflagram greve nesta segunda-feira; as universidades estaduais também estão entrando em greve hoje; na UEL, professores fazem paralisação de três dias (o Sindiprol fala em greve por tempo determinado), com assembleia para reavaliação na quinta-feira, servidores deflagram greve por tempo indeterminado e estudantes iniciam “paralisação” com “indicativo de greve”.

Fora da educação, a Polícia Civil deflagra greve também nesta segunda-feira.

Por parte dos estudantes secundaristas, a agenda é nacional. A questão é a reforma do ensino médio, proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB), por Medida Provisória. Também criticam a PEC 241, a “PEC da Morte”, que “congela” os recursos para saúde educação e a área social por 20 anos. Mas eles estão dispostos a apoiar a luta dos seus professores contra o recuo de Beto Richa no acordo de 2015, que vem sendo tratado como “calote”. Depois de começar com um discurso agressivo contra os estudantes que ocupam escolas, o governador chamou o movimento para o diálogo. Mas acreditar na palavra do tucano hoje é uma tarefa delicada.

Por parte do funcionalismo estadual, o problema é a palavra empenhada pelo governo Beto Richa no ano passado, da qual o governador pretende recuar neste ano. Diz respeito ao acordo que pôs fim à greve de 2015. Ele prometia reposição da inflação de 2016 em janeiro de 2017. Ameaçava recuar desde junho, antes do recesso parlamentar, mas o temor da base governista em enfrentar as eleições municipais com mais esse ônus (além do passeio de “camburão”, em fevereiro do ano passado) segurou por algum tempo. Até o dia 3 de outubro, quando as eleições municipais foram encerradas na maioria das cidades paranaenses. Foi aí que o governo encaminhou à Alep o projeto desfazendo o acordo de 2015 e “empurrando” os servidores para a greve. Nesse caso, a dor de cabeça é reflexo da postura do próprio governador.

Os estudantes da UEL têm uma agenda ampla: apoio aos secundaristas que ocupam as escolas estaduais (pedem a retirada da PEC 241, contra a repressão aos movimentos sociais, retirada do projeto de lei da “Escola sem partido”) e agendas próprias, como a manutenção da política de cotas raciais na UEL, pela ampliação da moradia estudantil – eles reclamam da “decisão arbitrária da reitoria de expulsar” uma estudante da moradia estudantil – e apoio e unidade de luta com professores e servidores.

Enfim, é assim que começa essa segunda-feira “nervosa” no Paraná: com raios e trovoadas políticas.

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