Faz diferença sim, excelência!

Para além do lado jocoso, a resposta de Valter Orsi (PSDB) a Paulo Silva (PSol) sobre o preço da passagem de ônibus em Londrina, num debate sobre mobilidade urbana, traz nas entrelinhas uma grave demonstração de insensibilidade social do tucano. Orsi admitiu não saber o preço da passagem (R$ 3,60) e depois questionou Silva, o autor da pergunta: “isso faz diferença pra você?”

Primeiro há que se ressalvar que não informar o candidato sobre o preço da passagem antes de um debate sobre mobilidade urbana foi um erro grave da assessoria, porque realmente nenhum candidato tem a obrigação de saber tudo, principalmente o que está fora da sua realidade, do seu cotidiano (quem anda de carro pode não saber o preço e não precisa ser rico para não ser usuário do transporte coletivo, esse repórter não é nem rico, nem usuário do transporte coletivo em Londrina).

O que incomoda na resposta de Orsi – e demonstra a falta de sensibilidade social – é a pergunta que o tucano devolve ao candidato que o questionou. Um candidato a prefeito está pleiteando um cargo no qual tomará decisões que afetam a vida das pessoas. E saber o impacto que essas decisões tem na vida das pessoas faz toda a diferença. Se o candidato não está preocupado com o impacto dessas medidas, falta-lhe sensibilidade para se colocar no lugar daqueles que terão que desembolsar o dinheiro para fazer os seus trajetos na cidade. Ele precisa saber que, se eleito, vai administrar uma cidade que vai muito além dos seus círculos sociais – no sentido sociológico mesmo.

Justiça

Nesse sentido, justiça seja feita ao atual prefeito, Alexandre Kireeff (PSD), a quem caberia na campanha de 2012 o rótulo de insensibilidade social: membro de uma família que foi proprietária da principal empresa de transporte coletivo da cidade, como prefeito Kireeff soube como poucos segurar o impacto que o preço da passagem tem na vida das pessoas. E isso faz muita diferença. Andar de ônibus em Londrina custa R$ 3,60 e poderia custar menos, não fosse uma decisão da Justiça a respeito de uma cláusula do contrato com as empresas. E tem cobrador nos ônibus. Claro que a forma como é financiado o passe livre, integralmente com recursos do município, tira algum peso da planilha do transporte coletivo – o estouro no orçamento do passe livre é outra história.

Para comparação: em Bauru, cidade paulista com 350 mil habitantes, andar de ônibus custa R$ 3,75. E não tem cobrador, que é um custo a menos com no serviço, já que se usa menos mão de obra. O motorista dirige, recebe e faz o troco. Isso faz muita diferença. É um serviço com um custo importante a menos que o de Londrina e com um preço a mais. Faz muita diferença.

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