Justiça seja feita

Foto: CML/Imprensa/Devanir Parra

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Há uma semana, depois de ser derrotada na convenção do PMDB, que decidiu pelo apoio à candidatura do deputado federal Marcelo Belinati (PP), a vereadora Elza Correia anunciou que não disputaria a reeleição, para tentar um novo mandato na Câmara. Elza Correia defendeu que o seu partido indicasse o vice na chapa do PPS, encabeçada pelo advogado e professor universitário André Trindade. Eleita vereadora em 1996, ela foi uma das principais opositoras do ex-prefeito Antonio Belinati, em seu terceiro e inacabado mandato (1997-2000). Ganhou visibilidade e densidade eleitoral fazendo oposição ao belinatismo, se reelegeu em 2000 e em 2002 conquistou um mandato na Assembleia Legislativa. Sem conseguir se reeleger em 2006, foi coordenadora da Região Metropolitana de Londrina até 2010, no segundo mandato de Roberto Requião (PMDB) como governador e foi eleita novamente para a Câmara em 2012.

Por ter um nome conhecido e com história na política da cidade, Elza Correia tinha grandes chances de reeleição, principalmente se o seu partido fizesse aliança para formar uma chapa proporcional. A vereadora, porém, preferiu ser coerente com a sua história e não apoiar o candidato de um grupo político ao qual ela sempre fez oposição.

A decisão da vereadora é uma raridade na política brasileira e principalmente dentro do seu partido, o PMDB, que participou de todos os governos desde a redemocratização e que nas vezes em que chegou ao poder não foi pelo voto direto. Contrariando a “lógica” dos políticos brasileiros, ela preferiu a biografia e a coerência ao mandato e à expectativa de poder. Não terá, no futuro, que explicar porque o adversário demonizado de hoje é o aliado virtuoso de ontem – tornando-se a exceção que confirma a regra.

Ainda que caibam críticas à atuação da vereadora – ninguém, pessoas ou instituições estão acima do bem e do mal, ainda que alguns acreditem encarnar o “bem” (embora não sejam convincentes) –, é importante dizer que mais do que Elza Correia, quem perde com a sua saída de cena é a Câmara. Ela é uma das raras exceções em meio ao deserto de ideias e à despolitização que marca o perfil dos parlamentares brasileiros, das Câmaras Municipais ao Congresso Nacional.

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