Barroso: “a política morreu”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, fez sociologia e de boa qualidade na fala que fez num debate acadêmico, anteontem, no Rio de Janeiro. Fora a paulada que deu na geleia chamada PMDB (na qual também tem razão), Barroso fez uma análise honesta da política brasileira. “A política morreu, porque nós temos um sistema político que não tem um mínimo de legitimidade democrática, ele deu uma centralidade imensa ao dinheiro e à necessidade de financiamento e se tornou um espaço de corrupção generalizada”, analisou Barros. Bingo! O sistema representativo brasileiro está falido. O parlamento não representa ninguém e está de costas para o cidadão comum, mas de mãos dadas com os grandes financiadores de campanha. É uma realidade que começa nas Câmaras Municipais e vai até o Congresso Nacional, passando, de forma geral, pelo poder executivo.

Barroso foi mais longe: “o problema da política neste momento é a falta de alternativa. Não tem para onde correr. Isso é um desastre. Porque numa sociedade democrática a política é um gênero de primeira necessidade”, prosseguiu o ministro. Tal constatação é reforçada por uma simples olhada no listão da Odebrecht, que veio à tona na semana passada, um mês depois de sua apreensão, para depois ser rapidamente colocada sob sigilo pelo juiz federal Sérgio Moro. Lá estão mais de 200 políticos de 24 partidos e que receberam dinheiro da construtora. O sigilo imposto à lista por Moro é importantíssimo para a estratégia do “acordão”, que pode acontecer com ou sem impeachment – principalmente com impeachment, já que, segundo quem frequenta Brasília, o comentário dos corredores é de que um eventual governo Michel Temer (PMDB) enquadraria a Lava Jato.

A estocada final de Barroso também foi interessante:  “quando, anteontem, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e pensei: Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder. Eu não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando”, concluiu. Dispensa maiores observações.

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