Dois pesos e duas medidas

O juiz Sérgio Moro agiu com dois pesos e duas medidas diferentes em dois episódios semelhantes. O primeiro foi o dos grampos das conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Anunciada a intenção da presidente Dilma Rousseff (PT) torna-lo ministro, Moro tornou públicos os grampos, em nome do interesse público. Tornou públicas inclusive as conversas que envolviam autoridades com foro no STF, como a própria presidente e o ministro Jaques Wagner (PT) – eles não estavam grampeados, mas participaram de conversas grampeadas. Um dos grampos, aquele no qual Dilma e Lula comentam o termo de posse, aconteceu duas horas depois de suspensa a autorização judicial para a escuta. A escuta foi suspensa às 11h12 do dia 16 de março. Essa gravação aconteceu às 13h32. Depois de divulgar as gravações, Moro enviou o conteúdo ao STF.

Uma semana depois, em 23 de março, a atitude de Sérgio Moro foi diferente: a documentação indicando a contabilidade das contribuições da Odebrecht a políticos, apreendida em 22 de fevereiro, durante a 23º fase da Operação Lava Jato, batizada como “Acarajé”, cita mais de 200 políticos de 24 partidos. As planilhas contém, por exemplo, dados das eleições municipais de 2012 e há referência à disputa pela Prefeitura de Londrina – entre muitas outras cidades brasileiras. Logo no começo da tarde de 23 de março, Moro decretou sigilo sobre a documentação. Ontem ele enviou a documentação ao STF, já que parte considerável dos nomes que aparecem nos documentos é formada por políticos com foro privilegiado.

Nos dois casos, além de autoridades com direito a foro privilegiado, existem situações a serem investigadas. No caso da lista da Odebrecht, fica a curiosidade: o material da contabilidade eleitoral da Odebrecht foi apreendido em 22 de fevereiro e tornado público um mês depois. Nesse período, nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público Federal e nem o Judiciário mexeu na documentação. Nada foi investigado nesse período.  Alguma explicação?

3 comments for “Dois pesos e duas medidas

  1. Mauro Pereira
    29 de março de 2016 at 08:19

    Acredito que a lista da Odebrecht foi vazada pela própria Odebrecht apenas para engrossar o coro conta a operação lava jato.

  2. Dione
    29 de março de 2016 at 09:40

    Sem dúvida, a parcialidade do juiz Moro é óbvia.
    Fico imaginando, já que não temos acesso, como foi conduzida a investigação do caso Banestado.

  3. Carlos Trindade
    29 de março de 2016 at 17:41

    Se eu fosse Sergio Moro, faria exatamente a mesma coisa. Se ele cair com tudo em cima de todos os políticos citados por Odebrecht, ele teria simplesmente a grande maioria de todos os políticos poderosos contra ele, não acredito que ele teria forças pra aguentar isso. Foi exatamente o mesmo que aconteceu na Itália. A lista dos bandidos poderosos ficou tão que eles se juntaram e conseguiram reverter a maior investigação e punição de mafiosos e políticos corruptos da Itália. Em seguida, os políticos aprovaram diversas leis perdoando as condenações e diminuindo os prazos para prescrição dos crimes que tinham cometido. Foi ridículo. Pode apostar, a hora dos outros virá. Sergio Moro é implacável e assim será, mas com inteligência e sabedoria.

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