Kireeff vê conflito de interesses; Takahashi diz que tese “não fecha”

Foto - Núcleo de Comunicação - Prefeitura de Londrina

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O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) disse ver “conflito de interesse” no posicionamento do vereador Mário Takahashi (PV), presidente da Comissão de Justiça da Câmara no episódio em que foi arquivado o projeto de lei que prevê mudanças na Caapsml. Kireeff disse ao Baixo Clero que “o vereador apresentou a empresa [à qual o advogado que participou da reunião pública da Comissão de Justiça, na última segunda-feira, é ligado] à Caapsml”. Segundo o prefeito, a empresa “apresentou uma proposta de trabalho para ser contratada” pela caixa de previdência que paga as aposentadorias do funcionalismo municipal, isso no começo da atual administração. A empresa foi apresentada pelo vereador para propor soluções para o problema do pagamento das aposentadorias do funcionalismo, que é objeto da lei que foi arquivada na segunda-feira pela Comissão de Justiça. A direção da Caapsml recebeu o representante, mas não fez a contratação.

Kireeff também afirmou que o técnico que participou da reunião de segunda-feira é parente do vereador. O prefeito avalia que, por ter apresentado a empresa à Caapsml, Takahashi deveria ter se isentado de discutir a questão. Como isso não foi feito haveria, no entendimento de Kireeff, um conflito de interesse.

“Não fecha”

Foto: CML/Imprensa/Devanir Parra

Foto: CML/Imprensa/Devanir Parra

Takahashi afirmou que o conflito de interesse alegado pelo prefeito “não fecha”. “Seria um conflito de interesse onde eu sairia perdendo”, ironizou. O vereador relatou que trabalhou com o advogado que veio para a reunião da Comissão de Justiça e que ele confirmou ser seu primo – informação tornada pública durante a reunião de segunda-feira. Disse ainda que o advogado se especializou em fundos de pensão e tem como clientes grandes. “Das 100 maiores empresas, 70 são clientes dele, além dos maiores fundos de pensão do país”, declarou. Segundo o vereador, a contratação da empresa do seu primo ou mesmo a nomeação dele para a Caapsml traria um rendimento muito inferior ao que ele ganha trabalhando com grandes empresas.

Sobre a apresentação do advogado ao prefeito, Takahashi afirmou que isso aconteceu no contexto da transição de 2012, logo depois da vitória de Kireeff nas urnas. “Levantei alguns pontos da Prefeitura que eu poderia ajudar com a minha formação técnica e identifiquei a questão previdenciária, questões tributárias e a CMTU”, relatou o vereador, explicando que levou técnicos dessas áreas para apresentar propostas ao então prefeito eleito. “Essas pessoas vieram sem cobrar nada para expor o que estavam fazendo e pinçar alguma ideia”, declarou. No caso específico da Caapsml ele afirmou que “se o município tivesse algum interesse faria alguma licitação”.

“Eu nunca mais toquei no assunto e agora vem esse comentário”, reclamou. “Vejo como desespero, desrespeito e uma tentativa de desconstruir o meu posicionamento”, concluiu.

O principal motivo para o parecer contrário da Comissão de Justiça foi a não apresentação de documentos do Ministério da Previdência autorizando as mudanças pretendidas pela administração municipal. A prefeitura alega que o pedido de autorização foi feito há quase um ano e meio, mas a resposta ainda não foi dada.

2 comments for “Kireeff vê conflito de interesses; Takahashi diz que tese “não fecha”

  1. vereador Vilson Bittencourt
    9 de março de 2016 at 20:57

    Vejo com tristeza esse posicionamento de arquivar um projeto de extrema relevância e necessidade para Londrina. É muito clara a preocupação não só do presidente da CAAPSML Denilson Novaes como de toda a administração o cenário que viveremos na administração a partir de 2017. Serão necessários mais de 50 milhões de reais que terão que sair do caixa da prefeitura por ano para cobrir as aposentadorias de servidores. Sem dúvida alguma seremos afetados na saúde, educação, assistência social, obras, etc. O projeto precisa ir ao plenário para que possamos apromorà-lo e assim não prejudicar nossa cidade. Em resumo, é uma irresponsabilidade.

  2. Eleitor Técnico
    10 de março de 2016 at 10:43

    O Vereador Vilson ou não entende a situação ou está no front do prefeito para agradá-lo. O que se percebe num primeiro momento é a inércia da atual administração em demorar três anos para apresentar uma proposta para solucionar o problema. Aí vem com uma solução paliativa, que num primeiro momento leva-nos a crer que a situação foi regularizada, só que depois a conta vem. O que se está fazendo é transferindo o dinheiro de um fundo para o outro para cobrir o rombo agora, e, o que se sugere para o futuro?? Nada. ou seja nenhuma solução.

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