Pedras no caminho da CPI do Operação Quadro Negro

A oposição ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa terá dificuldade para abrir uma CPI com o objetivo de investigar os casos citados na Operação Quadro Negro, que apura denúncias de irregularidades com recursos para a reforma de escolas estaduais. Segundo o Gaeco, foram desviados R$ 18 milhões que, de acordo com testemunhas, teriam alimentado campanhas eleitorais, como a de Richa à reeleição, além de três deputados: o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), Plauto Miró (DEM) e Tiago Amaral (PSB).

O grande desafio da oposição é chegar ao número mágico: 18 assinaturas. Teoricamente seria um número possível, já que a soma dos 7 deputados da oposição com os 12 da bancada “independente” daria 19 assinaturas. Mas na vida real a matemática é outra: a CPI da Operação Publicano, por exemplo, empacou nas 11 assinaturas. Ainda assim, por precaução, a maioria governista da Casa abriu em 2015 cinco CPIs empurrando a Publicano para o fim da fila, caso a oposição chegasse às 18 assinaturas.

Parte do problema acontece porque mesmo “independentes”, alguns deputados não conseguem se desvencilhar da teoria do “papel de bala”, elaborada por Cobra Repórter (PSC) – no ano passado, depois de se comprometer a votar contra o pacote de medidas da segunda fase do ajuste fiscal do governador Beto Richa, o parlamentar anunciou que mudaria de posição e passaria a votar com o governo porque senão não receberia “nem papel de bala” do governador.

Na avaliação do deputado Tercílio Turini (PPS), “se não tiver apoio da sociedade, dificilmente sai CPI [do Quadro Negro]”. Turini afirmou que a oposição pretende marcar uma audiência pública para levar setores da sociedade para o debate e pedir apoio desses setores. “Se a sociedade não se posicionar fica difícil”, completou. Na atual conjuntura, o prognóstico é que não sai CPI.

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